Nas bodegas, nas festas, nos batizados, nos casamentos, mas principalmente nas feiras, os cantadores repentistas estarão sempre presentes espalhando cultura na forma de versos rimados, como enciclopédias ambulantes.
Banda de Cabaçal
Meu primeiro instrumento
musical foi uma flauta de talo de carrapateira. Eu tentava imitar os lúdicos
músicos de Cabaçal.
E, quem dera tivesse nos dedos, a destreza
de um Tocador de pife.
Como ele, eu seria um quase Deus.
Emboladores de Feira
Sábado é dia de feira. E na feira de Cajazeiras, no meio de uma roda de pessoas, assistí a grandes duelos de Coquistas emboladores. Sob a batida ritmada de um ganzá, estes artistas populares me levaram com seus improvisos a viagens de cores e sons.
Vaqueiro aboiador
Aboia o vaqueiro e a boiada perdida na caatinga se aqueta, calando cangas e chocalhos, no fim do dia. Eu tambem me aqueto calando meus apegos e angústias, em choro contido. Serei gado, ou serei
gente?
Cego Cantador
Quantas vezes ouví
o canto-lamento do Cego Cantador que rogava uma moeda no oitão da igreja-matriz. Como
menino pobre eu não tinha a moeda para dar, mas achava que um milhão
ainda era pouco para pagar tanta beleza saida da garganta de um cantador.